Cada um com seus problemas?

Eu estava devendo esse post há algum tempo e resolvi postá-lo logo, antes que eu esquecesse desse fato deprimente e revoltante.
Aconteceu há algumas semanas atrás, enquanto eu voltava da aula. Entre minha casa e onde estudo gasto aproximadamente 2 horas usando transporte público. E nele vejo muitas coisas vergonhosas e até mesmo estranhas. Mas o que narrado a seguir foi sério.

Vamos aos fatos: estava eu na estação esperando um trem (um dos últimos do dia). Quando ele chegou, eu entrei e logo notei que tinha um homem caído, cheio de refluxo (para não dizer um português mais claro) em toda a camisa e em sua volta. Perto dele havia algumas latas de cerveja, o que seria um possível motivo para esse problema. A sorte desse homem é que nesse vagão estavam dois guardas. Eles logo o socorreram e tentaram o ajudar, apesar de ser difícil.
Quanto mais o tempo passava mais ele sofria com os constantes refluxos. Se os guardas (que eram fortes) não o tivessem virado de lado ele já teria engasgado e sofrido até mesmo uma parada respiratória.
Pois bem, vendo o estado desse homem, os guardas logo começaram a planejar o que poderia ser feito. Decidiram descer ele na próxima estação e levá-lo para o hospital da cidade. Bastava apenas falar com os guardas da próxima estação para conseguirem tirar ele do vagão. Porém não foi isso o que aconteceu.
Quando chegaram na estação e já estavam se preparando para tirá-lo da composição, um dos ‘chefes’ da estação disse que não havia necessidade de fazer isso. Disse isso talvez como um castigo ao homem que sofria por uma conduta errada. Os guardas, ouvindo essa ordem tão desumana se entreolharam e acataram a decisão. Fiquei perplexo quando vi isso…A cena foi horrível: olhei para o trem saindo (pois eu havia chegado ao meu destino) com aquele homem quase morrendo sem ninguém para auxiliá-lo. O que será que aconteceu com ele? Será que o mesmo sobreviveu? O que se passou na mente daqueles guardas e ferroviários?

vergonha nacional

A cada dia que passa vejo o fundo poço na qual o ser humano se afundou. Não existe mais amor, muito menos consideração pelo próximo. Cada um defende apenas o que é seu, os seus pertences e seus entes queridos, e o resto que se dane. Meu Senhor! Aonde esse mundo vai parar? Até quando iremos ver os problemas, o MAL, entrar na vida das pessoas?! Temos que mudar isso, não podemos continuar dessa forma!
Não sei mais o que dizer, tamanha indignação. Paro aqui com minhas palavras, e espero que você mude de atitude e pense mais no ser humano.

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4 comentários sobre “Cada um com seus problemas?

  1. Eu acho que os escritores têm um mal, me perdoe: nós vemos muito, refletimos ainda mais e em retorno, escrevemos demais. É, pelo menos achamos que estamos fazendo alguma coisa. E estamos, não vou tirar o crédito de nossos desabafos. Mas eu vou me sentir útil mesmo no dia em que vir uma situação horrorosa, pensar em como eu poderia escrever criticando-a e, ao invés disso, simplesmente ir, suprir a necessidade e me calar sobre isso.

    *Dudu, isso não é, de maneira nenhuma, uma crítica a você – muito pelo contrário. É só que o seu texto me levou à esta reflexão. Amei o que você falou e me indignei com você. E oro pra que um dia nossas atitudes sejam armas tão poderosas quanto as nossas palavras digitadas nesse mundo virtual. 🙂

    • Nossa, maravilhosa reflexão que você fez!
      Ela foi forte, mas demonstrou a realidade.
      Eu entendi seu ponto de vista, e ele é correto. Porém temos que suprir a necessidade de uma maneira eficaz. E às vezes nossos desabafos servem para que outras pessoas mudem sua forma de pensar ou façam algo de bom. Quantas vezes eu não me animei com alguma causa depois de um desabafo de alguém? Por isso ainda acho válido colocar pra fora o que a gente vê de errado para que assm possamos criar uma rede de pessoas dispostas a mudar esse tipo de situações.

      o/

      • Não, eu também acho. Tanto é, que vivo no desabafo, hahaha. Mas que um dia quero suprir a necessidade com mais do que palavras, ah, isso eu quero! Aliás, como disse a sábia Clarice Lispector: “Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? (…) Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, é muito pouco.” Essa tá até na minha biografia lá no blog, hahaha! ;p

      • Hum, pensamos de maneira igual entao =D
        Esse texto da Clarice é muito forte, estou lendo ele pela 1ª vez. Vou até salvá-lo aqui e sempre refletir lendo ele, pois traz uma grande verdade: o confronto entre o desejo de se lutar e o fato de se lutar.

        beijoo*

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