Cidade entre pedras

CRACOLÂNDIA – SÃO PAULO

Localizada na região central de São Paulo no bairro da Santa Ifigênia, a Cracolândia (nome derivado de crack) abriga hoje um centro de tráfico de drogas, prostituição e violência, e tem sido um foco constante de preocupação para líderes da cidade de São Paulo.

Há tempos, as ruas Vitória e Guaianases, localizadas no centro velho de São Paulo, foram tomadas por traficantes e dependentes de drogas que formam, os dois, um pedaço da população que governo insiste em declarar extinto, mas que ressurge a cada noite.

Mesmo quem sabe, ou imagina, saber o que acontece sob o domínio da droga e da miséria humana fica chocado com as cenas acontecidas naquele lugar.

Em alguns pontos da região mais de cem pessoas fumam, tanto nas calçadas quanto no meio da rua, impedindo o trânsito de carros. O movimento dos viciados é interminável, que pouco se importam com a luz do dia e passam dias sem dormir e sem comer.  A fúria dos usuários é assustadora. Uma movimentação que mistura a euforia de quem fuma com a paranóia de quem procura pelo chão restos de pedras e bitucas de cigarro para trocar pela “raspa do chifre do diabo”, como os viciados mesmos falam.

A droga é vendida ou trocada por tudo que se pode imaginar: fraldas, roupas, celulares e MP3 players. É uma busca desenfreada e interminável pela droga.

Por disso, a prefeitura criou o projeto Nova Luz, que tem a intenção de promover a revitalização das 45 quadras do centro da cidade onde fica localizada a Cracolândia. Até agora, porém, nem o pedido de uma base policial permanente para o local foi atendido.

Sabe-se que não é apenas revitalizar e limpar a Cracolândia. Demolir tudo, higienizar e expulsar os usuários dali, o que aparente ser o objetivo dos líderes públicos, vai apenas transferir o problema para algum outro ponto.

Em meio a tudo isso o Projeto Retorno tem com o objetivo de desenvolver treinamentos a curto prazo para alcançar tribos urbanas executando estratégias criativas que envolvam mobilizações e conscientização,

O casal responsável pelo local é o Pr. Jair e a esposa Nildes Nery, que, em uma atitude ousada, mudaram com as filhas Talita e Lais da Bahia para encarar este desafio, chamados pela Igreja do Evangelho Quadrangular. Hoje eles não somente trabalham, mas também moram bem no coração da Cracolândia, arriscando a liberdade e comodidade a favor do evangelismo e cuidado pelos usuários de crack.

Vendo a situação de perto eles não se contentaram em apenas treinarem líderes para o trabalho urbano, mas também criaram  “Projeto Retorno”, que tem como missão a reintegração das pessoas na sociedade, atuando principalmente com usuários de drogas e homossexuais. Um cuidado, porém, que não deixa de se estender a toda comunidade.

Também existe a Missão Cena que também está localizada dentro da Cracolândia onde todos os dias incidentes acontecem, mas lá as pessoas encontram exatamente a ajuda que precisam. Ali são oferecidos serviços básicos de higiene pessoal, corte de cabelo, banho, assistência médica, roupas, alimentação, cursos e atividades interativas, como danças, artesanatos, capoeira e etc…

TESTEMUNHO

Eu já conhecia o trabalho na região e até já tinha visitado um espaço ali,  ma”s tive uma experiência especial no dia que visitamos a Cracolândia. Um dos jovens da igreja sugeriu um programa diferente para nossa reunião e programou uma “visitinha” ao local para distribuirmos comida nas ruas. Compramos 300 hot-dogs e juntamos 30 jovens em um sábado à noite. Não deu nem pro cheiro…

A gente saiu de um espaço que conhecemos ali, a Missão Cena, todo mundo feliz e alegre, com os celulares devidamente escondidos nos bolsos, bandejas e mais bandejas com lanches e garrafas de suco. Andamos algumas quadras, encontramos algumas pessoas e fomos distribuindo nossos sorrisos com um pouquinho de comida. Depois de uns cinco minutos de caminhada viramos uma esquina. Naquele momento as 30 pessoas com lanches foram literalmente engolidas por uma multidão de – sem exageros – umas 500 pessoas moradoras de rua, profundamente drogadas, bêbadas, sujas e o que mais você imaginar.

Foi um soco no estômago. O inferno existe mesmo e fica ali na Cracolândia, com certeza. A rua não tinha chão, não tinha parede, só tinha gente. Os 300 lanches acabaram em cinco minutos, muita gente ficou sem.

É incrível imaginar como aquele mar de gente vive ali, todas as noites… ex-psicólogos, ex-universitários, ex-advogados e também ex-pastores. Os que não estavam “lesados” demais conversavam com a gente e naquele momento vimos como os vícios e os prazeres da carne roubam a identidade das pessoas. Ninguém era alguém lá. Todo mundo era escravo da droga e fim.

O carro da policia vem, passa reto e vai embora; Os carros bonitinhos, de gente rica, vêm, param e compram droga e vão embora.

O coração fica doído, moído, sei lá! Eu vi crianças com cachimbinhos nas mãos. Crianças se drogando! Como assim?!

Foi um baque para o grupo todo. Já voltamos lá duas vezes depois disso e não tem como ignorar essa realidade, esperar que a “maquiagem” que a prefeitura quer fazer no centro faça alguma diferença.

O mais incrível é perceber que a maior transformação aconteceu dentro de mim. É como aquela música da Brooke Fraser diz: “Now that I have seen, I am responsible” (“Agora que vi, sou responsável,” em uma tradução livre para o português). Deus me lembrou o quanto Ele é misericordioso comigo e o que Ele espera de mim com relação a seus outros “filhinhos”.

CONHEÇA O PROJETO RETORNO

R. Conselheiro Nebias, 335

Fone 11-3337164

E-mails

basemundialsp@ieqmissoes.org.br

http://www.nossobairro.com/projetoretorno

CONHEÇA A MISSÃO CENA

R. Gen. Couto de Magalhães, 280

01212 – 030 – São Paulo, SP
Fone 11-3331-4471

Casa Família
Fone 11-4991-6650

Fazenda Nova Aurora
Fone 11-4682-1645

E-mails

contato@missaocena.com.br

http://missaocena.com.br

Texto retirado do Forgotten People

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4 comentários sobre “Cidade entre pedras

  1. Amém, vou colocar esse projeto em minhas orações para que Deus alcance ainda mais vidas através dessa iniciativa fantástica.
    E é em horas como essa que eu surto e penso “o que é que eu estou fazendo aqui?” Não são poucas as vezes em que tenho vontade de fazer as malas e ir pra um lugar que precise, como a África… e o Brasil mesmo. 😦

    • Pois é Brenda!
      Aqui em Campo Limpo, mais precisamente em Botujuru, tem dezenas de jovens nessa situação. Minha igreja já tá elaborando meio de alcançá-los e tenho certeza que teremos resultado!
      Continue orando por nós o/

    • Não não, disso tenho certeza. Essas igrejas tem se empenhado em fazer a diferença e convocar o povo a refletir. Eles fazem palestras e treinamentos para o aperfeiçoamento de técnicas que possibilitem a disseminação de boas ‘energias’ pra quem mais precisa.

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