Intellectual Delay of Media

Tanto na mídia como em qualquer coisa que esteja na boca do povo, nós sempre caímos em cima daquilo que faz sucesso. Creio que isso ocorra porque nos cansamos do que está no topo. De tanto termos contato com isso, nossa mente acaba se acostumando tanto com aquilo que logo encontramos mais erros do que pontos fortes, seja no artista, na ideia ou projeto que está no foco.

Um bom exemplo é a música hoje. Há certo tempo atrás a mídia abraçou com força a cena hardcore melódica, mais conhecida como emo na boca do povo. Era um estilo de música um pouco pesado, com os integrantes de preto, mas as letras não combinavam com o visual… Eram muito bonitas, doces e grudentas. Um típico chiclete. Os maiores expoentes desse estilo aqui no país foram o NX Zero, CPM22, Fresno, entre outras bandas.

Eu mesmo fui um grande crítico desse naipe de música porque não me conformava em ver adolescentes ‘chorando’ em shows de rock (de fato acontecia isso!), em ver letras frescas se comparadas as de outras bandas da cena HC, entre outras coisas. Porém as coisas mudaram e o estilo logo caiu no esquecimento e poucas bandas mantiveram todo esse conjunto de visual e som.

E o que aconteceu? Uma nova onda de impacto na música nacional: os coloridos. E o que apareceu junto com eles? As críticas. Hoje é difícil encontrar alguém que apóie eles, a não ser as garotas, garotos efeminados, pessoas de pensamento aberto demais e uma grande parte das mães que acompanham as filhas em shows do estilo. E isso pode até ser considerado aceitável, pois as músicas, o visual, o conjunto da obra em si é realmente tosco. Eu não curto e vejo com muito ceticismo o que tem se criado em torno disso. Mas é a mesma coisa que aconteceu no passado.

Da mesma forma que os emos da década passada foram massacrados, o estilo colorido de hoje tem sido perseguido pelos ‘intelectuais’. Não estou querendo dizer que o som deles tem qualidade por causa disso, mas digo que a crítica tão forte tem sido feita não por eles serem ruins, mas por estarem em cima. Hoje, comparando a cena emo antiga e a atual, a antiga acaba sendo cultuada. E vai ser sempre assim. Logo, em alguns anos, uma nova moda inútil fará sucesso e nós teremos saudade (!) dos coloridos. Inevitavelmente é assim, é o preço que pagamos pela ignorância de nosso povo.

É como o Victor do Bullet Bane (antigo Take Off The Halter) falou no webcast deles pro Trama: a mídia sempre produzirá algo bom seguido de uma modinha, seguido de algo bom… e por aí vai, seguindo nesse ciclo, eternamente.

Cabe a nós não ficarmos presos nisso, mas termos nossa visão limpa e clara a respeito dos fatos. Nossos ouvidos não podem se ater aquilo que eles querem que nós escutemos. Temos grandes ferramentas para conhecer novas bandas, novos estilos. A internet, as rádios, o conhecimento de nossos amigos. Não há desculpas para ouvir o que não tem valor, ok?

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2 comentários sobre “Intellectual Delay of Media

  1. Olha, não tenho nada contra quem gosta desses tipos de música, contanto que tenha uma visão crítica daquilo que gosta. Admito, gosto de muitas bobagens (afinal, precisamos relaxar um pouquinho às vezes. Nada melhor do que uma bobagenzinha…), mas isso não faz com que eu deixe de admitir que são meras bobagens….

    Apesar dos grupos que você citou não serem da minha preferência musical, não me incomodo com quem gosta. O que me incomoda é dizer que isso é só coisa do ‘povão’, de quem não ‘pensa’, etc, etc. Elitismo barato, esse tipo de visão. Gostar é algo, às vezes, irracional. Quantas vezes nos encantamos por coisas completamente inúteis?

    Mas isso não impede de você raciocinar sobre aquilo que gosta. Goste, mas perceba que não é bom esteticamente enquanto música. E experimente outras músicas quanto puder, pois não faltam meios para isso, como você bem disse. Seja crítico e o seu mundo crescerá.

    Post legal! =)

    Abraços!

    • Pode crer, você pensa como eu!
      O complicado é aguentar a massa crítica que se alastra, principalmente pela rede. Tudo bem, o som é desagradável, mas não preciso esculachar quem o faz. Isso que quero passar para quem está aio meu redor, seja lendo o blog ou na convivência diária. Temos que buscar uma cada vez menor ignorância, aceitar as opiniões dos outros, mesmo que não possuam base alguma.

      Dei uma passada no seu blog com meu celular e fiquei muuuito impressionado, seus textos são ótimos!
      Na próxima atualização da semana que fizer, indicarei seu blog!
      Beijo :*

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