A Liberdade da Sinceridade

Eu só queria que houvesse mais honestidade em meio à humanidade. Seria uma novidade refrescante poder ter a liberdade da sinceridade, por saber que as pessoas entenderiam o coração que se abre. Os melhores relacionamentos são assim. E se as relações com cada conhecido fossem tão à vontade quanto àquela com o melhor amigo?

Tem horas que cansa sair saltitando em sapatilhas de ponta pela vida só para não ferir os sentimentos alheios. Tem dias em que eu não estou a fim de te ver, ou mesmo de conversar com você. E se você me entendesse? E se todo mundo escolhesse emprestar mais freqüentemente a mente do outro por apenas alguns momentos? Aí se lembraria dos momentos em que você mesmo não sente vontade de ver determinada pessoa e acabaria por me entender. Mas boa vontade para compreender os sentimentos dos outros anda em falta – até mesmo (ou especialmente?) dentro de mim.

Tem pessoas que não queremos aceitar como “amigos” no Facebook. (E eu nem vou tocar na falsidade que é chamar os contatos virtuais de “amigos”.) O bom-senso também parece ter tirado umas férias definitivas. Foi embora e não volta mais, e eu é que tenho que fingir ser educada só para não te magoar. Solicitação de amizade: aceitar. E lá vamos nós, andando com as costas arqueadas sob o peso das expectativas sociais. Onde é que eu assino para ser livre? Para fazer o que me torna plena, sem que as pessoas julguem ser egoísmo? Quando é que paramos com toda a farsa e tiramos todos os acessórios que nos adornam?

(Eu não sei quando o momento se dá; só sei como seria. “Ei, pare de ser tão sensível. Ela só não vem hoje porque trabalhou a semana toda e anda precisando descansar”, diríamos a nós mesmos. “Ei, seja razoável. Para quê adicionar uma pessoa para quem você nem dá ‘oi’ quando cruza na rua? Soa fútil e interesseiro”, refletiríamos.)

É uma questão de ser honesto com a própria sombra e com as das pessoas. É aprender a dizer não para os outros e para as pressões da reflexão no espelho, nos dizendo para sermos sempre perfeitamente sociáveis e agradáveis. É o ser livre para dizer a verdade e saber que não vai soar pior do que uma mentira. É parar de precisar arranjar as desculpas mais absurdas para não magoar os amigos. É ser real, e ser aceito mesmo assim – sem criar tensão ou problemas. É o dia em que, finalmente, os “dois pesos e as duas medidas” caem por terra.

Uma dose de egoísmo é saudável para se preservar a essência. E o equilíbrio entre valorizar as próprias necessidades e pensar mais nas das pessoas é o que nos concederia essa tal liberdade da sinceridade, que eu tanto tenho almejado.

(E se a humanidade já tivesse atingido esse nível de maturidade, eu poderia até mesmo comentar sobre a tolice de ficar escrevendo tudo em inglês por aí, quando se é super desnecessário e nem ao menos sabem como fazê-lo!)

Brenda Nepomuceno

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s