Um Lugar ao Sol

Esse livro, o segundo do projeto Resenhas à 2, me cativou. Assim como “Olhai os Lírios do Campo” essa obra trouxe uma maneira mais envolvente de evolução da história em si. Quando li “Música ao Longe” fiquei de certa maneira decepcionado, porque esperava mais daquele livro. Porém “Um Lugar ao Sol” veio para sanar minhas esperanças a respeito da literatura de Érico Veríssimo.

O livro tem como enredo a continuação da história de “Música ao Longe”, que narra momentos importantes da vida de Clarissa. No desenrolar desse livro podemos ver como sua família lida com as perdas importantes, inclusive de João de Deus, o pai da família. Com sua morte, Clarissa, Vasco e dona Clemência, personagens importantes do livro, precisam encontrar um meio de ganhar a vida, fora do casarão histórico, outrora dominado por eles. Como a família se enrola em dívidas, a casa é hipotecada e posteriormente entre aos italianos da família Gamba, citada nos outros dois livros anteriores.

Fora de casa, o trio resolve partir pro sul, onde possuem parentes que podem auxiliá-los.  Nessa viagem ocorre uma coisa interessante no livro: a inserção de novos personagens. De um jeito inteligente, Érico coloca novas peças e centraliza a história em torno delas. Entre as mais importantes destaco Fernanda e Amaro. A primeira é uma pessoa deveras atenciosa com todos que pode, uma verdadeira mãe. E no caminhar das coisas ela conhece a família de Clarissa e dá todo tipo de auxílio. Já o segundo é um homem maduro, mas com uma queda por Clarissa. O problema é que ele se culpa muito por esse amor retraído, e busca saciá-lo espiando a garota secretamente.

Junto com esses dois personagens vemos o desenvolvimento de uma serie de conflitos. Fernanda é casada, vive uma vida humilde, mesmo seu marido sendo filho de pessoas importantes na sociedade daquela época. Existe uma pressão em sua família para que eles peçam ajuda dos pais de seu esposo, mas ela reluta em não aceitar, pois sabe que seria humilhante e de certa maneira covarde depender deles. Ela quer que sua família ande com as próprias pernas. E no caso de Amaro, ele passa por problemas financeiros, precisa se mudar pra longe de Clarissa, acaba se envolvendo com uma mulher que não ‘faz o tipo’ dele, e a história fica muito dramática, porém renovada.

Além desses fatores interessantes, surge uma garota na vida de Vasco, Anneliese. Ela vem da Europa e se entrega de paixões por ele. Porém ele só a conhecesse por ter feito amizade com um velho conde, que mora na mesma pensão que ele, casa de uma parenta de dona Clemência. Sei que parece confuso, por isso recomendo que você leia o livro com atenção, pois são mais de 400 páginas muito bem aproveitadas.

Outros pontos quentes do livro são o envolvimento de Xexé, velho amigo de Vasco e Clarissa, na vingança pela morte de João de Deus, os problemas pessoais de Xexé, o reaparecimento do pai de Vasco (que desde o primeiro livro era um viajante desaparecido) e o desenrolar de todos os fatos citados acima de maneira uníssona.

Esse é um daqueles livros densos, mas não cansativo. Apesar de ser longo, é uma história bem desenhada, com muitos perfis psicológicos colocados diante do leitor, muitos problemas e soluções emocionais, conflitos entre pais e filhos, e, juntando tudo numa só frase, um livro feito para se deliciar, com toda certeza!


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