Resenha: Mute e Bullet Bane em SP

O dia 11 de setembro de 2011 foi um dia triste em muitas partes do mundo. A ‘comemoração’ dos 10 anos do atentado terrorista mais conhecido da história mexeu com as pessoas em diversos lugares. Mas um pequeno grupo de pessoas resolveu não ficar lamentando esse fato e aproveitar a noite para ver um evento digno de atenção: o final da tour do Mute pelo Brasil.

A banda canadense não é muito conhecida aqui, fazendo bem o tipo de banda underground que gosto. O Hangar 110 não ficou cheio, mas quem estava era porque realmente gostava das bandas que estariam tocando naquela noite tão especial.

Cheguei ao local um pouco atrasado, mas como é normal em eventos musicais e para minha sorte, houve um atraso de quase 1h. Graças a isso consegui chegar a tempo de ver o som do Hunger United, primeira banda a tocar no dia. Os caras, que me chamaram muito a atenção desde a primeira vez que ouvi, fizeram mais uma apresentação memorável, com senão me engano a mesma setlist do show deles com o Medellin, no mesmo local, em junho passado, composto pelas músicas do EP, mais dois covers: um do No Trigger e outro do Rise Against. Nem preciso dizer que foram primorosos, tocando sem muitas pausas e impressionando quem estava presente.Hunger United

Vale ressaltar que os meninos tem um som majestoso, digno de aplausos! Apesar de tocar há pouco tempo nessa formação, eles possuem um bom entrosamento, e o EP deles foi um dos discos que mais ouvi nos últimos meses. A combinação do hardcore ano 90, com a voz rouca do Nando Melo, somada às letras realistas e sinceras são um convite à audição extrema. Recomendo demais!

Logo depois subiu ao palco o Bullet Bane. Apesar de conhecer o som deles [quase] desde o começo, só tive a chance de acompanhar um show dos mesmos nessa ocasião. E não a desperdicei! Nem sei como mensurar em palavras ver cada música que eles executaram rolando no maior peso, com a galera gritando e a roda presente, como em todo bom evento hardcore.

Os meninos abriram o setlist com uma das músicas novas, que estarão presentes no debut, a lançado nos próximos meses. A primeira música foi a Angels, música que já considero a melhor deles, pois possui uma introdução matadora, passando do peso para as harmônicas, e com um refrão que instiga o coro uníssono. Depois rolaram também algumas músicas do EP da banda, lançado ano passado, e um cover da Silvio, do This is A Standoff. A única coisa ruim é que, pelo atraso, o tempo do BB no palco foi menor, o que deixou a galera um pouco triste, mas não desanimada.Bullet Bane

Uma das coisas que posso afirmar aqui é que a vontade de ver esse cd lançado aumentou muito depois desse show. Porque as músicas se mostraram ótimas no ‘modo ao vivo’. Ouvi-las num bom fone de ouvido então deve ser arrebatador. Aguardo ansioso!

Por fim subiu ao palco os canadenses do Mute. Eu esperava ser um bom show, mas saí de lá muito mais impressionado do que podia imaginar. Os caras não são novinhos, mas nem por isso deixam de demonstrar uma grande energia tocando. O baterista canta, o que se torna uma característica da banda. Os solos e riffs são muito bem feitos, explorando de maneira interessante os escalonamentos. Às vezes lembram as bandas de metalcore e seus dedilhados.

Não lembro muito bem as músicas que eles tocaram, mas o show foi baseado no álbum The Raven, o que eu mais gosto, particularmente. Teve algumas músicas que me fizeram ficar boquiaberto, como a King of Spades, Coming Back e Apocalypse Soon. Não tem como explicar como é gostosa a sensação de assistir ao vivo a execução de músicas que você ouviu e apreciou durante um bom período de tempo. Confesso que o som deles não é unanimidade na minha biblioteca musical, mas ao mesmo tempo é uma daquelas bandas que não cansa, que faz você sentir seus ouvidos sendo massageados, literalmente.

Mute

Houve tempo espaço para algumas músicas mais antigas, para os fãs mais oldschools da banda. E no fim, quando todos os presentes pediram para que a banda voltasse com um “one more song!”, a banda voltou e tocou um cover dos Satanic Suffers, banda de hardcore melódico lendária.

Por fim, digo que foi um evento épico. Não nos padrões musicais atuais que conhecemos, mas para mim. Foi um daqueles eventos em que todas as bandas te agradam, onde você encontra amigos que compartilham da mesma alegria, ouve um som bem produzido e de verdade, e saí com um sorriso de orelha a orelha. É isso que chamo de cena hardcore (:

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