Resenha: Parkway Drive em São Paulo

Vou tentar não ser repetitivo nessa resenha. Porém é difícil, pois esse evento foi, assim como outros nesse ano, histórico, pra ficar marcado na mente e coração de todos que estiveram presentes. Já era de se esperar um evento memorável, visto que os australianos do Parkway Drive são conhecidos pela energia no palco, desde seu modesto início até agora, no topo das paradas. E foi uma experiência legal para mim pessoalmente, pois nos últimos tempos tenho ouvido músicas – como disse a Cá Martins, que conheci na ida ao show – do gênero mainstream clean, isto é, bandas mais populares, como Pearl Jam, Metallica, John Frusciante, entre outras. E ir num evento hardcore desse nível foi interessante pelo contraste que isso fez na minha mente, gerando uma visão ímpar, livre da influência do gosto musical pesado. Sem mais delongas, vamos ao resumo do show. 

 

O evento foi tranqüilo e sem maiores problemas, do início ao fim. A única coisa que atrapalhou e muito foi uma questão com relação à ausência da grade entre público e palco, que será explorada mais à frente. Tirando esse fato, o evento foi primoroso e fez jus ao profissionalismo decádico da Liberation, que tem trazido grandes bandas da cena underground ao nosso território.

A casa abriu no horário, e a primeira banda, Last Sigh, animou bastante a galera. A banda – que tem um hardcore com boas pitadas de heavy metal, na minha opinião – mostrou um som bem profissional, com peso e atitude, e sem firulas no palco. Antes do show eu havia ouvido a banda, mas não tinha gostado muito, pois não parecia ser a banda apropriada para abrir um show do PWD, porém ao vivo minha opinião mudou. Às vezes a sonoridade da banda lembra o som do Bleed From Within, exceto pelos vocais, menos brutalizados. E foi muito bom ver o pessoal contagiado pelo som dos caras, fazendo belos moshs e dançando. Ficam meus parabéns à banda, que soube aproveitar muito bem a chance de tocar num evento tão importante!

Para o bem dos fãs, apenas uma banda de abertura foi escolhida. Sendo assim, a próxima banda seria nada menos que a atração principal. Uma característica que achei bem interessante nos caras do PWD é a simplicidade. Geralmente a arrumação do palco para a banda principal tocar dura quase meia hora, mas eles foram rápidos nisso, mostrando que não tem muita frescura quanto à detalhes mínimos, na minha visão. Ou seja, esperar para vê-los tocar foi até que rápido, porém não menos angustiante.

Passado o tempo necessário para a entrada dos caras, eis que as cortinas se abrem e o som de Samsara começa. Naquele momento já deu pra sentir aquele arrepio na pele, pois já era esperado mais um começo épico de show que eles possuem, como os que eu havia assistido antes, pra entrar no clima. Quando os caras começaram a se posicionar no palco, a galera já estava num frenesi total, e bastou o cantor aparecer e entoar: “Freedom is slavery!” para que o Carioca literalmente viesse abaixo, tamanha animação de todos! Assim que a música começou mal pude conseguir gravar, por isso logo guardei o celular no bolso para assistir aquele momento único. Praticamente todos os presentes estavam dançando e vibrando, algo que eu ainda não havia acompanhando em show algum, grande ou pequeno. Quando a intro terminou, Winston McCall mandou um sonoro: “Oh my God!”. Que momento!

E eis que daí seguiu-se um setlist majestoso, passando pelos três trabalhos de estúdio da banda. Como de praxe, “Unrest” foi emendada na introdução, para manter o clima rápido e apropriado para o mosh. Os hits “Sleepwalker” e “Idols and Anchors” não poderiam faltar, para alegria da galera. Além deles também rolou “Romance is Dead”, “Mutiny”, a sempre pesada e esperada “Dead Man´s Chest”, “Boneyards”, entre outras. Todas destruidoras. Mas o ponto alto do show, além da introdução poderosa, foi a “Deliver Me”. Quando o vocalista disse que queria ver todo mundo pulando, a galera acatou sua ‘ordem’ e fez o chão do Carioca Club tremer, algo muito belo de se ver e sentir.

Quando a banda saiu do palco todos estavam com o sentimento de um sonho realizado, visto que tinham acabado de curtir uma das melhores bandas de metal hardcore dos dias de hoje. Porém foi opinião geral que o setlist tinha sido muito curto, não só com relação ao tempo de execução (menos de 1h), mas também por ter faltado a música que todos queriam ouvir: “Carrion”. Sendo assim, logo todos estavam gritando em uníssono: “Carrion! Carrion!”.  A banda, como não poderia deixar de fazer, voltou ao palco, para delírio de seus fãs, e avisou que tocariam a música pedida. Pronto, era o que faltava para que todos fossem ao delírio.

Porém enquanto a banda tocava essa música algo legal porém triste ocorreu. A galera, que foi a loucura, começou a subir ao palco, e ao invés de fazer o stage dive, ficavam em cima do palco para cantar com o vocalista ou simplesmente curtir o momento. Os seguranças, a postos em ambos os lados, pouco podiam fazer, já que o número de pessoas era grande. O jeito foi partir para uma decisão arriscada: desligar os equipamentos de som da casa. Foi a atitude dos organizadores para frear a bagunça. Mas ao invés de surtir efeito ela fez com que os músicos entrassem no clima. O cantor começou a cantar sem o microfone mesmo, e o guitarrista junto do baixista começaram a tocar quase deitados no palco, e num momento de delírio talvez, caíram no meio público, para finalizar o evento com chave de ouro.

Ao final da música os músicos já tinha sido levados pelo público para cima do palco de volta, e rapidamente sumiram, para evitar maiores problemas. O fato da Liberation ter desligado o som realmente manchou a noite, mas depois de tanta coisa boa esse foi um fato certamente isolado, e nem entristeceu quem já tinha visto seu sonho realizado.

Um fato curioso – e que passou desapercebido por muitos – foi o de que o baterista do Parkway Drive usou uma camiseta do Gaia, banda de hardcore do ABC Paulista, durante as primeiras músicas, tanto no show de São Paulo como no de Curitiba. E, curiosamente, marcamos uma entrevista com a banda dias antes do show. Como dizia a Brenda Nepomuceno, deve ser um “transmimento de pensação“.

E como eu disse no início, foi um fato interessante pra mim porque meu gosto musical sofreu grandes influências nos últimos meses. Passei a ouvir bastante coisa mais, digamos, trabalhada. Estilos mais cadenciados, lentos, progressivos, ou simplesmente mais leves. E o show do Parkway Drive me mostrou como é bom ter uma mente aberta pra música, sem colocar preconceitos à frente do seu próprio gosto. Se você gosta de barulho, seja feliz com ele, e já era! E foi isso que pude fazer com meus amigos nesse dia. Curtir um bom show, com boas companhias, e voltar com o sentimento de desejo cumprido. Um dos melhores eventos do ano, certamente…

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