CD #1 | New World Broadcast

Demorou, mas saiu!
Quase um semestre após o lançamento digital do CD, finalmente pude colocar minhas impressões sobre ele na mesa. Agora que a versão física foi disponibilizada bela desculpa as coisas ficaram mais fáceis, já que pude escrever minha resenha ouvindo o CD no talo, no sistema de áudio de casa.

A impressão que tive ao ouvir o trabalho na íntegra pela primeira vez foi: eles evoluíram! A banda já havia poduzido um EP em 2010, e de lá pra cá foram aprimorando muita coisa, fazendo contato com bandas e músicos que até então eram referência dentro da música, por exemplo. Não se limitando a isso, houve também mudanças, como o nome que precisou ser alterado e a mudança de bateristas, que mudou de certa maneira a pegada da banda.

E o resultado de tudo isso foi um som mais encorpado, com energia extra. O EP We Took Off tinha sido marcante (alguns fãs mais ortodóxicos ainda o preferem) mas alguns fatores se somaram pra trazer uma nova identidade à banda. Além do novo nome e integrante, esse trabalho ganhou peso na sonoridade em geral, com direito a breakdowns e distorções próximos aos encontrados nas bandas de metal. Tudo isso sem perder a aura hardcore. E para coroar o trabalho Philippe Fragnoli e Gabriel Zander, figurões do hardcore nacional, deram sua contribuição no trabalho, na produção e mixagem/masterização, respectivamente. O resultado? Tentarei explicar daqui pra frente, faixa-a-faixa. Lets go!

1. The Train. Assim que o CD começa você percebe que tem algo errado diferente. Existe uma cadência diferenciada logo nos primeiros segundos da música. O baixo dá sua contribuição, com rápidas palhetadas. E a bateria é um destaque a parte, ditando a velocidade com destreza. Não que o som do EP fosse ruim, mas nessa música é perceptível o amadurecimento dos caras como músicos, já que as linhas de instrumentos e vocais se mostram superiores, dignas de um trabalho gringo.

2. Fission And Fusion. A pimeira paulada do CD dá as caras. Só o começo é suficiente pra agitar qualquer moshpit digno de um bom som. A música já era conhecida dos fãs mais antigos da banda, já que foi executada no estúdio do Trama em novembro de 2010. A rapidez dessa música lembra o We Took Off, porém mais trabalhado. O uso das vozes ficou genial, com alguns berros e bons back vocals. O instrumental também chama a atenção. Talvez seja a música que representa a nova fase dos caras. Rápida e pesada…

3. Nutricide. Sem perder o pique, entra a segunda pedrada do CD, que realmente dá a impressão de continuidade, já que começa voando. Um dos destaques da faixa são os vocais, que se mostram agressivos e variam bem de tonalidade, indo do agudo ao grave sem muita dificuldade. Mais uma vez ponto para o instrumental, com destaque para o rally entre 01:06 e 01:33, com ótimo trabalho das guitarras e presença feroz do baixo, aniquilando qualquer leveza da música. Pra fechar temos a participação do Gonta, vocalista da Overlife, que deu uma cara ainda mais pesada pra faixa, destruindo tudo com seus berros agudos.

4. Dance of Eletronic Images. Esse foi o primeiro single do CD. Quando pensamos em um single, logo nos vem à mente uma música comercial. Não nesse caso. A faixa tem um começo bom, mas natural, porém antes do refrão entendemos porque essa é uma das faixas preferidas pelos fãs. A combinação dos berros do Victor com a densidade do breakdown rápido dá um toque especial na música. O refrão instiga o rápido aprendizado, mais um detalhe pra fazer a música colar. No fim dele, mais uma surpresa. Não reclame que eu esteja falando novamente a respeito disso, a culpa é da banda! O instrumental, ele mesmo. A preparação para o solo faz com que você queira bater cabeça aonde quer que esteja ouvindo a música. O solo é o melhor do CD, variando bem na sua tonalidade. Com certeza uma das melhores músicas, mas não mais que a próxima, na minha opinião.

5. Cyberwar III. Sabe aquela música que poderia ser trilha do seu filme ou série favorito? Pois bem, é essa. Do início ao fim você tem a impressão de estar ouvindo uma banda norte-americana, ou da Europa, visto a qualidade presente ali. A voz, guitarras, peso, letra e energia simplesmente se combinam e deixam essa faixa além de todas. O riff do início é arrepiante, junto com um solo de boas-vindas. O vocal traz força moderada, e termina num belo breakdown, que leva pro melhor refrão do CD. No fim, nada de fazer a mesma linha de som sempre. Uma quebrada com notas inéditas na faixa faz a toda a diferença. Mais berros e um vidro sendo quebrado. Pronto, estamos no êxtase. Daí pra frente pode terminar a faixa como quiser, que o estrago já foi feito. Pensando nisso na minha visão a banda incluiu uma espécie de passagem de som no fim da música, ideia interessante.

6. Angels. Eis a música mais cultuada e admirada pelos fãs. É aquela típica faixa que nunca falta no show, pesada, com melódicos bem trabalhados e letra marcante. Falando sobre a arma que os Estados Unidos insistem em chamar de projeto inofensivo, a banda traz a faixa mais pesada do trabalho. O começo destruidor do baixo mostra que a música veio pra ficar. Ele é seguido de instrumental que dura quase um minuto, uma eternidade pra qualquer banda de hardcore. E assim, variando no peso, berros e melódicos, a música vai se seguindo, passando por uma bela combinação de vocais nervosos com a bateria, e finalizando com a mesma velocidade e peso do começo. Br00tal.

7. Retreated. Opa, o que houve? Alguns segundos depois o susto passa. Logo após a faixa mais rápida vemos o momento mais “zen” do CD, o que amedronta quem é marinheiro de primeira viagem. Mas não se engane, porque é nas faixas mais lentas que o talento dos caras se revela de maneira mais nítida, mostrando que nem só de velocidade e distorção vive o hardcore. O trabalho dos vocais e dos riffs escalonados se destaca. A bateria é outro ponto de destaque, fazendo bons solos. A letra, segundo Victor, é algo mais puxado para o lado pessoal, trazendo algo dele para fora…talvez eu não tenha explicado bem, melhor se entender com ele por aqui.

8. Option to Repression. Apesar de ser uma das melhores músicas do álbum, foi a que menos me animou. A técnica de “tap”, comum ao hardcore melódico, aparece descaradamente. Interessante a transição numa levada de “samba” que é feita entre a primeira parte e o refrão. A velocidade dessa faixa se mantém na média do CD, rápida mas sem atropelos. O final da música também merece destaque, com belas guitarras.

9. Mind Control. Outra faixa pesada. Talvez uma das melhores, mas depois de tanta coisa boa acaba passando desapercebida. Mas não se engane, pois ela também traz suas características próprias. O refrão, rápido e fácil de decorar, atrai a atenção. Os berros logo depois, seguidos pelo grito dos fãs (como num show), são empolgantes. O solo dessa faixa é um dos melhores, produzindo variações interessantes e culminando num final com cara de ‘ao vivo’, com gritos de muitas pessoas e um instrumental acústico, que dá um toque minimalista e único na faixa.

10. Rosebud. A faixa mais controversa chegou. Foram inúmeras as opiniões negativas na internet, o que eu sinceramente achei estranho, pois é uma prática comum o uso de introduções e prelúdios nos mais variados estilos de música. Fãs alienados. Como disse, a faixa veio como preparação para a música-tema do CD.

11. New World Broadcast. Quem conhece a banda sabe de suas inclinações californianas, e essa música só veio atestar isso. É a faixa com mais cara de “punk hardcore melódico californiano” de longe, ou seja, justifica as raízes da banda. Não chega a ser pesada como as anteriores, mas existe sim os momentos de intensidade. Mais uma vez aparece o característico ‘tap’. Após o refrão a batera do Renan se impõe, em harmonia com as guitarras de Fernando e Danilo, numa sincronia medonha porém prazerosa. Nessa faixa os vocais alcançam um nível mais agudo que no geral, mostrando a competência do vocalista. No fim, a música mantém a levada do começo, fechando em alto nível.

Para obter o trabalho na íntegra basta baixá-lo sem custo nesse link. 🙂

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