Entrevista com Renato Ribeiro

Ser músico é algo bem interessante. Te faz interpretar a própria vida de outra forma. E quando você reúne esse dom com outros da mesma estirpe, como as artes gráficas? E, como para brindar, rega tudo isso a muito carisma? Esse é um pequeno resumo do entrevistado desse mês, o vocalista da banda Unlife, Renato Ribeiro. Entre outras coisas ele fala sobre sua banda e as mudanças pelas quais ela passou, além dos seus projetos projetos pessoais e sua ótica do mundo. Enfim, vamos lá!

1.  Você tem uma relação interessante com o desenvolvimento de arte nas ruas de São Paulo. Pode nos falar um pouco a respeito dos seus projetos e atividades desse naipe?

Eu desenho desde moleque. Foi uma coisa muito interessante eu me envolver com o graffiti há uns 7 anos atrás, e logo percebi que essa forma de expressão era muito próxima de mim e do que eu queria fazer pela cidade. Meu único propósito era espalhar um pouco do Amor de Deus através da arte, mas até então não sabia a forma de arte, e o graffiti me chamou para que isso fosse possível.  Partindo disso, na rua, sozinho, comprava revistas e estudava os traços e estilos, fui me virando e como dizem ”a rua te ensina”.

O contato com o graffiti fez crescer mais o amor pela arte em mim, hoje me i um artista, participo de diversos eventos com grandes empresas, a mais recente é a ”Call Parade” da Vivo, um projeto que expõe a arte em forma de orelhão de rua, a exposição tem início nesse domingo 20.05.2012, para mais informações www.callparade.com.br .

2.  Por falar em arte, cultura, você tem uma banda, correto? Aliás, foi através da banda que conheci você. Como é ter uma banda independente no Brasil, mais especificamente em São Paulo?

A melhor definição é: Difícil. Ter uma banda no brasil é complicado demais, tentar viver de música é quase impossível, agora, tentar viver de Rock (o verdadeiro rock, o Metal) é uma utopia.
As pessoas não se importam mais, preferem mil vezes pagar metade do salário pra assistir uma banda gringa do que pagar R$15 pra ver uma banda local. Não culpo essas pessoas, eu entendo a qualidade internacional do rock, mas aqui no Brasil, especialmente em SP, temos bandas magníficas que provam por A+B que esse lance de ”gringo é melhor” é tudo besteira.
Enfrentamos diversas batalhas por ai, e são poucos que ficam ao nosso lado, mas ninguém aqui se faz de coitado, pois se fosse fácil não tinha graça, e por mais difícil que seja, eu amo fazer isso e não me importo bater o pé e tocar o que realmente faz as pessoas felizes.

3.  Como você se sente ao saber que é um produtor de conteúdo para a juventude? Se sente importante com isso?

Sim, é uma parte da arte que me motiva a fazer mais e mais, creio que o que mostro pra galera é o mais coerente e certo possível, eu tento trazer algo pra galera que não seja apenas beber e vomitar.

4.  Por falar na banda, como estão os projetos dela?

No gás total, estamos no meio do processo de composição do nosso novo àlbum, a banda esta muito empolgada e dedicada. Lançamos o nosso novo site há 2 semanas com alguns vídeos e matérias semanais, o resultado tem sido bom, abrindo portas e nos revelando grandes parceiros, quem quiser acompanhem de perto pelo www.unlife.com.br

5. Com a banda, você já abriu shows de grupos imponentes na cena, e isso com certeza alavancou o nome da banda ainda mais. Qual a importância da irmandade na música em geral?

É essencial, independente do estilo, as bandas devem se unir cada vez mais, pois isso prova que a musicalidade é mais importante do que o estilo, e faz os ouvintes ouvirem novas bandas e terem novas referências. É algo que deve se espalhar de forma natural na mente da galera, sem monopólio e ditaduras musicais. Muito do que a Unlife é reconhecida hoje vem dos nossos corres, mas se não fosse os amigos e fãs talvez não tocariamos com bandas como The Devil Wears Prada, August Burns Red e Bless the Fall.

6.  Você é um usuário assíduo de redes sociais pelo que posso ver. Qual a importância dessa interação com as pessoas? Acredita que a internet fortaleça os relacionamentos pessoais?

A Internet mudou tudo, e estamos nos readaptando às nossas formas de viver. Isso por um lado é bom pois podemos ter conversas com brothers do outro lado do mundo, podemos fazer um show ao vivo pela net, pregar, pintar, fazer de tudo!
Isso aproxima a mente das pessoas, eu tenho muitos amigos que nunca vi, mas que posso ter a certeza que no dia que os ver, vou ser muito bem tratado e posso ter certeza que essa pessoa poderá contar comigo.

Porém nem tudo são flores, pois algumas pessoas não conseguem ser os mesmos na net e na vida real, pois não tem o convívio pessoal, a interação de olhar nos olhos e abraçar, brincar, etc; Isso é muito perigoso pra essa nova geração que vem ai, os pais devem tomar cuidado pra garotada não virar um bitolado que não sabe pedir um hambúrguer na lanchonete da esquina. Hey, se você já esta ai sentado, depois de ler essa entrevista, vai lá fora dar um rolê!

7.  E como vocalista e “artista gráfico”, a internet também contribui nesses casos?

Sim, querendo ou não somos um livro aberto, onde qualquer um pode chegar e ler. Antes tudo era restrito demais, tínhamos que comprar revistas e livros, hoje tem tudo na net, e o acesso a informação é muito fácil e prático.

8.  A Unlife teve uma pausa, que foi angustiante para os fãs mais apegados. Quais as mudanças ocorreram nesse meio tempo?

Foi uma pausa intencional, algo que era preciso, mas em nenhum momento a banda parou de tocar ou de se relacionar, foi um lance de se isolar do mundo pra poder buscar o melhor de nós mesmos, e nada melhor do que tirar tudo da sua frente e focar só o necessário.
Nossos fãs ficaram bravos, ainda mais com a saída da Marina, muita gente ainda não entendeu que ela saiu porque quis, ninguém tirou ela. Com a saída de uma pessoa que era um dos vocais da banda, isso acarretou muita mudança em nós, esse tempo “away” foi para nos readaptarmos as novas condições da banda, buscar nossas inspirações e depois vir com tudo. E esse plano funcionou, estamos felizes com essa nova fase da banda, eu com toda certeza posso dizer que é a melhor fase que a Unlife esta vivendo!

9. Um feito que sempre admirei foi o de vocês terem trabalhado com dois pesos pesados do metal brasileiro, Marcello Pompeu e Heros Trench do Korzus. Como foi essa experiência?

A melhor escola que tive!!!
Quem quer ser metaleiro, nada melhor do que aprender com o Mestre. Eu achava que manjava de metal, ate eu conhecer o Pompeu e o Heros. Depois de conviver com eles, consideramos o Pompeu como um pai, que ajuda, ensina, puxa a orelha mas que sabe que o filho esta no caminho certo.

10.  Com relação a fé e espiritualidade, qual sua relação com esses assuntos? Segue alguma visão?

Deus ontem, Deus amanhã, Deus Sempre!
Nossa fé em Deus é o motivo pra tudo isso existir, meu graffiti e minha banda não teriam sentido, não teriam assunto, se não fosse o Amor de Deus.
Frequento um a Igreja Batista, mas não tenho divisões com ninguém, respeito outras crenças e sempre que posso converso e até ajudo amigos de outras igrejas e crenças. Odeio quando discriminam e criticam outras formas de crer. Em minha visão se o Deus que você acredita é um deus de Amor e Justiça então esse Deus é bom, independente da forma que você siga ele.
Como diz uma música da Unlife, ”Nós somos iguais e Deus nos ama, não deveria haver mais divisões, somos filhos do memso Pai, Ele nos ama, Quem é quem tem razão?”

11.  Você mora em São Paulo, se não me engano na região ABC. Ela é conhecida por um alto nível de desenvolvimento humano. Como é morar para esses lados?

Adoro o ABC, nunca tive problemas por aqui, e eu acredito que quando você passa muito tempo em um lugar, você quase que passa a ser parte dele, conhecendo como aquela árvore se comporta, ou a hora que os pássaros cantam, ou a hora que sua vizinha chata acorda e liga o liquidificador [risos].
Não pretendo sair daqui tão cedo, mesmo sendo bem longe do Centro de SP, ainda prefiro ser um ”caipira barbado” do ABC.

12.  Por fim, deixe uma mensagem aos leitores.

Primeiramente obrigado pela chance de estar aqui e compartilhar um pedacinho do que eu sou, é uma honra para mim.
Mas o que eu realmente quero que todos vocês leitores se lembrem, não olhe para mim e crie conceitos de que sou um cara que veste um terno, põe uma bíblia  debaixo do bolso sai por  ai dizendo que rock é do capeta e Graffiti é coisa de vagabundo.
Eu sou uma prova viva que  Deus ama você, e ama do jeito que você é. Pois aqueles que amam a Deus de todo coração já tem seu canto reservado ao lado dEle, e não interessa o seu estilo ou a sua moda, Deus também curte quem ouve rock, quem faz tattoos, quem anda de skate, quem dança um break, e por ai vai. Ele quer o seu coração, e não a sua roupa, ele quer ver você feliz, e te fazer feliz.
Portanto larguem apenas o que faz mal pra vocês e não desistam do seus sonhos, quem entrega a vida a Cristo, sabe que não tem nada a perder.

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