CD #2 | With Roots Above And Branches Below

Esse é um dos CDs que mais ouvi nos últimos dois anos. Destoa muito do que eu [aparentemente] ouço. Lembro que na época do técnico muita gente dizia: “você ouve metal? Nem parece, você aparenta ser tão tranquilo!”  Pois é, as aparências enganam. Mas falando do disco, é um dos que mais gosto dentro da cena metalcore porque o considero um marco considerável. Longe de ser um trabalho aclamado pela crítica (apenas pela especializada) ele não é um álbum concentrado na musicalidade, mas sim no peso, expresso em muitos riffs, distorções e na bateria insana. Ah, o trabalho é regado de belos elementos eletrônicos, feitos por sintentizadores. Achou a idéia bacana? Então leia a resenha pra entender como é a brincadeira, faixa por faixa.

1. Sassafras. Essa música dá a idéia geral do trabalho: peso. A barulheira inicial logo se canaliza num breakdown saturado, o primeiro de muitos a serem executados. Por algum tempo essa música foi usada para abrir os concertos da banda, já que tem uma pegada rápida e intensa, alternando bem os momentos de rapidez com os de transição de técnicas, mantendo bons riffs e participações primorosas do teclado. Um ponto em que a banda sempre se destacou foi no uso de sintetizadores, algo incomum em bandas pesadas até tempos atrás. Nessa faixa vemos um bom trabalho dos mesmos. Os melódicos aparecem em menor escala, mas são feitos de maneira agradável. No fim a música termina num bom jogo de elementos eletrônicos.

2. I Hate Buffering. Logo no início vemos uma bateria de impressionar, com bumbos duplos (creio eu) bem usados. Mais uma vez os teclados/sintetizadores fazem uma boa apresentação. O andamento da música em si se mostra algo agradável para os fás de metalcore. A música não segue uma linha imutável, como muitas bandas por aí. As evoluções do som são visíveis e boas de se ouvir. A combinação de vocais melódicos e gritados ficou ótima. Apesar de ser uma faixa curta, é uma das melhores, com toda certeza.

3. Assistant To The Regional Manager. Um dos clássicos da banda, por assim dizer. A introdução feita com uma guitarra sibilante é apenas um dos elementos que fazem a música ser uma das mais veneradas pelos fás do sexteto. É a melhor introdução do trabalho, certamente. A transição da intro para a segunda parte é feita por belas guitarras distorcidas, que logo levam a música para o melhor refrão do disco: “All glory to the One in existence, bring upon Your name, Your grace, Your everything!” Uma verdadeira declaração de fé dos músicos, coisa rara de ser ver entre bandas de metal. Esse trecho é orquestrado por belas batidas eletrônicas, e a saída traz de volta todo o peso da banda. Guitarras harmônicas dão o tom da brincadeira. Até que chega um dos melhores breakdowns que já ouvi na minha vida, que tem como pano de fundo um timbre de violinos feito pelo teclado. Dai pra frente a música mantém o que já ouvimos antes, até que chega o trecho final da música, de peso excessivo. Um brinde para os entusiastas. 

4. Dez Moines. Não é uma das minhas preferidas, mas tenho que admitir, essa música é ótima. Os elementos que a compõe são marcantes. O vocal inicial intercalado com a bateria é profundo. O uso dos sintetizadores dá mais uma vez o tom da faixa. A troca entre vocais limpos e rasgados costura muito bem a música. As guitarras são as melhores do cd. Misturam várias técnicas e são dignas de aplauso. O pequeno solo também faz muita diferença. O breakdown do final dessa faixa é dançante, como a maioria dos que a banda faz. Porém ele de traz de volta a música, que termina de maneira calma, se é que se pode classificar todo esse peso como calmo. Essa faixa esteve presente (por meio de download) no jogo Rock Band, o que ajudou na sua “proliferação”.

5. Big Wiggly Style. Sempre gosto de ver a introdução dessa música ao vivo, em vídeos do Youtube. Dá pra ficar horas ouvindo o mesmo trecho várias vezes. Coisa que também faço em casa. Os pratos da bateria em associação ao timbre de cordas do teclado deixa a coisa majestosa. Depois de um habitual breakdown de boas-vindas, temos o inicio da musica. O desenvolvimento ocorre como em outros momentos do álbum, até que somos surpreendidos com um belo trabalho do teclado, no seu tom comum (próximo ao piano), e das vozes ali inseridas. Após esse pequeno e belo ali, nos vemos num novo breakdown, que se dissipa numa combinação de guitarras rápidas e de crescimento gradual. Ao final temos um pequeno instrumental, muito bem feito, que dá espaço para um trabalho mais alternativo das vozes, sem seguir uma uniformidade. Como golpe de misericórdia temos um riff/solo bem feito, seguido de uma pequena distorção que abre alas pra melhor música do trabalho.

6. Danger: Wildman. O berro do ínicio, estilo arrasa-quarteirão, mostra que Mike Hranica não veio para brincadeira. Nessa faixa a saturação do peso é tão grande que ele lembra e muito os funks brasileiros, sonoramente falando. Batida demais para uma música só, mas nada que não agrade um fã do estilo. Depois de uma desenvoltura belamente arquitetada, de sujeira sonora e guitarras distorcidas, os vocais melódicos fazem sua apresentação, e logo nos vemos num momento de estranha calmaria na música. Os vocais limpos de Jeremy DePoyster são apresentados em conjunto de um belo som feito pelo teclado, no mesmo estilo de cordas orquestradas. Mas não espere que a música fique assim. A queda do tom do teclado logo mostra que vem peso por aí. E ele logo aparece, com violência e brutalidade, ainda mais depois de tanta paz. A partir daí é só construir um caminho para o restante da música, regado a muito teclado e distorção. Belo. 

 7. Ben Has a Kid. Um dos problemas de se baixar música de maneiras piratas é ter trabalhos incompletos, seja com relação a tags ou músicas, por exemplo. E tive a desventura de baixar esse cd sem essa música. Só a descobri no show,  com um amigo dizendo que era a melhor música deles na sua opinião. Depois que a ouvi pude entender porque ele disse isso. Essa faixa tem um início interessante, pesado mas harmonioso, e o uso de elementos eletrônicos é uma de suas características. O vocal assume uma brutalidade inédita nesse cd ate então. Os vocais limpos são agudos, mas incentivam que cantemos junto, como aqueles coros presentes em shows desse gênero. Logo depois caímos num breakdown bem comum, talvez para agradar aqueles fás mais moderninhos. Ele segue em duas linhas de tom distintas, com três velocidades diferentes, coisa de jovem. Mas desemboca num solo curto e bonitinho, que faz a faixa retornar para os vocais limpos e agudos. Fim.

 8. Wapakalypse. Em 2010 essa foi a música escolhida pra fechar o show da banda em São Paulo. A escolha não poderia ser melhor. A distorção inicial mostra que essa música é chumbo grosso.Logo os vocais evidenciam isso, junto de uma bateria pesada. Depois vemos uma combinação primorosa de metalcore com uma espécie de scratch dos sintetizadores, algo único. O refrão dessa música aparenta ser o mais comercial, muito bem feito e aparentemente desenhado. Dele vamos para uma mistureba de técnicas e velocidades, o que deixa a música mais interessante a cada instante. As guitarras harmônicas se apresentam novamente, guiando a música para um breakdown arrepiante, principalmente ao vivo. Não fosse a dancinha sincronizada que a banda faz ao efetuar esse trecho, essa faixa seria considerada imponente diante dos grandes nomes do metal internacional. Não que isso importe para a banda. Só um comentário.

 9. Gimme Half. Aquela musica que voce usaria facilmente comò trilla sonora de algum vídeo pessoal. Destoa do restante do cd, mostrando muita maturidade. É uma das poucas que sei cantar quase inteiramente de cor. O teclado de início é profundo, e a maneira como ele se ambienta, de fundo para o som característico da banda, faz com que a faixa seja mui bela, e aceita até pelos mais críticos. Tal trabalho dos teclados é o que mais chama a atenção na faixa. Não tem como explicar, só ouvindo. Breakdowns, vocais limpos e solos também se fazem presentes, mas como simples elementos.

10. Louder Than Thunder. Você escuta essa música essa música começar e acha que seu player de mídia deu pau. Mas não, faz parte do mesmo cd, por mais incrível que pareça. O instrumental inicial não se compara com nenhuma música já feita pela banda. E ele continua até seu fim, acrescentando apenas um vocal limpo e alguns eletrônicos para quebrar o clima durão. A letra é linda, dê uma procurada.

11. Lord Xenu. A única coisa que salva nessa música, na minha opinião, é o breakdown final, que foi até mesmo utilizado para abertura do show em São Paulo. De resto, essa faixa passa.

Por fim, esse é um dos meus CDs preferidos. É difícil entender meu gosto musical. Gosto de Adele, Foo Fighters, Hillsong United, mas também tenho ouvidos pra trabalhos assim. Me agrada muito o peso dessas bandas, mas o que mais chama minha atenção não são as distorções em uma música, sua leveza ou brutalidade, mas sim a maneira como músicas diferentes afetam as pessoas de diferentes formas. Nunca limite seus gostos musicais, se permita ouvir coisas novas de vez em quando, pode salvar sua vida (e seus ouvidos) de uma morte iminente. Morte de sentidos. E pior do que morrer é morrer aos poucos. Pense nisso.

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