Como se não houvesse amanhã

(e por acaso, há?)

Ele parecia olhar a vida como quem via um furacão, na certeza da calmaria.
Sempre que penso em Renato, o vejo sentado no topo de um prédio, sentindo as dores de uma sociedade que poderia desfrutar da mais plena paz, não fossem seus tiques de histeria.

A propósito, ele parecia enxergar o ciclo de cada coisa, inclusive o da dor.
De tanto observar e ouvir os gritos da Terra, do alto daquele edifício, acho que acabou entendendo que a poeira esquecida no chão é a mesma que, em outros tempos, sob os ventos da discórdia, escureceu o ar das avenidas, cegou civis e militares e destruiu almas e sonhos, que jamais precisariam ser abalados.

Renato conhecia a relatividade do tudo e do nada e, como adepto de um niilismo ora pessimista, ora não tanto, baseou quase toda a sua antologia musical em uma questão tão simples quanto o mundo que insistia em complicar os dias:   “o que realmente vale a pena aqui?”.


E por falar nisso, o tributo ao “Legião” foi uma graça 
 =)

Postado originalmente no blog Namorada das Palavras.

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