Sobre música ‘digital’ e sua legalidade

A distribuição de música ao redor do globo sempre gerou muita receita. A venda de CDs, DVDs, ingressos e produtos relacionados movimenta bilhões de reais ao ano. Porém existe peculiaridades dentro desse mercado que atraem nossa atenção, já que somos consumidores de música. E um dos fatores que afetou a venda de músicas em sua totalidade foi o advento da internet. Através dos anos foram desenvolvidos sistemas e modelos de consumo que permitiam ao usuário o consumo de música de modo amplo, sem as restrições que o mundo físico apresenta. O download ilegal de músicas (a vertente mais forte) foi o principal. Ele abalou as estruturas dessa modalidade de comércio. Até hoje bilhões são perdidos anualmente com os arquivos copiados indevidamente. Mas existem opções para aqueles que se preocupam com o consumo digital de música sem ferir as leis autorais. Porque, querendo ou não, traficar música como fazemos é crime, nem precisamos discutir isso. E a maneira que encontrei para manter meu consumo de música pelos meios eletrônicos foi o serviço de streaming de áudio chamado Rdio. O sistema cobre diversos dispositivos, inclusive celulares e tablets, e tem me ajudado de maneira plena no dia-a-dia, permitindo que eu ouça as bandas que gosto sem ter que burlar leis e passar por constrangimentos característicos dos feitores de pirataria.

Sobre o Programa

Descobri o serviço no fim do ano passado, mas por inviabilidades técnicas acabei não dando muita atenção. Porém no inicio desse ano dediquei uma atenção maior ao tema clouding computing, já que veio a tona no meio em que vivo/trabalho. E uma das vertentes mais interessantes e acessíveis era a do consumo de mídia em geral pela nuvem, isto é, ouvir música e assistir séries e filmes por meio da rede, sem ter que salvar dados no aparelho em que se consome os tais dados. Vendo que o sistema era interessante para mim, decidi testá-lo por sete dias gratuitamente. Fiquei satisfeito e passei a utilizá-lo pelo modo pago. Com R$9 mensais eu podia ouvir tudo o que quisesse dentro da biblioteca deles, tudo isso via streaming, ou seja, sem ter que baixar. Porém acabei passando por algumas mudanças no modo de usar a internet, o que me impossibilitou de continuar usando o serviço. Deixei ele parado por uns meses até adquirir um iPod, que possui aplicativo dedicado ao serviço. Feito isso assinei a versão mobile do Rdio, que custa R$15 mensais, e aí foi só alegria! Lhe explico o porque.

A partir do momento em que passei a usar o serviço pelo dispositivo móvel pude perceber o quão ele era útil ao meu dia-a-dia. A biblioteca deles, estimada em 15 milhões de músicas, cobre boa parte dos meus gostos, mesmo aqueles mais obscuros sobre o qual falarei mais a frente. E o interessante foi perceber a relação custo-benefício que ele tem. Pagando um valor aceitável eu posso consumir música dos mais variados estilos dentro do meu gosto, sendo pelo meio móvel ou fixo – no computador. Mesmo que a pessoa tenha uma tendência de posse – preciso ter os arquivos salvos comigo! – você pode conseguir isso pelos meios móveis, já que você tem a possibilidade de baixar as músicas e levá-las mesmo offline. Entretanto você não pode manipular as faixas, mas apenas lidar com elas dentro do aplicativo Rdio.

Os prós de usar um serviço desses são maiores do que apenas consumir música por meios legais. Quem consome música digital por meio de downloads ilícitos sofre com tags das faixas, capas de álbuns e faixas que faltam nos .zip e .rar da vida – para quem baixa CDs completos como eu. Com o serviço você tem sempre as capas e dados dos CDs corretos, visto que o pessoal do Rdio obtém as faixas diretamente com as bandas e gravadoras. Isso me livrou de grandes dores de cabeça que tive durante os últimos anos, copiando da web as músicas que eu gostava. Já deixei de ouvir boas músicas por não haver todos os arquivos dentro dos CDs que eu baixava. Parece que venci isso, pelo menos por enquanto.

Outra coisa interessante é a vasta biblioteca do serviço. Através dela tive boas experiências musicais ao longo das últimas semanas, tendo como alguns exemplos:

  • descobri projetos/bandas/músicos maravilhosos: Vitamin String Quartet, John Mayer, Millencollin;
  • ouvi recomendações de amigos: Gateway Worship, Defeater, Taylor Swift;
  • me reencontrei com bandas do meu passado algumas que eu teria vergonha de ouvir e fazer scrobbler na época: Simple Plan, Linkin Park, Planta e Raiz, Cristina Mel);
  • pude ouvir aquelas bandas que me acompanharam nos últimos anos: Kutless, Oficina G3, The Black Eyed Peas, MxPx;
  • escutei os undergrounds de cada dia: For Today, Architects, Obey the Brave, Strung Out;
  • me entreguei para as “female singers“: Regina Spektor, Tiê, Mallu Magalhães, Lana Del Rey;
  • ouvi bandas malvadonas: Mortification, Living Sacrifice, Soulfly, As Blood Runs Black;
  • viajei em algumas obras-primas: Dream Theater, Tumbledown, Laura Marling, Weezer;

Enfim, me deleitei com música.

Tal biblioteca é tão completa que mesmo as bandas de garagem tem presença por lá. E os lançamentos caem por lá em tempo recorde. CDs de Pennywise e Pitbull [eca], por exemplo, foram lançados por lá na mesma época do lançamento mundial. Ou seja, mais um ponto positivo.

Mas nem tudo são flores. Apesar de ser um sistema bem completo e interessante, existem coisas a se melhorar. O app para iOS por exemplo tem algumas falhas com relação ao modo de se transferir as músicas. Existe uma boa integração com o sistema da Apple, mas muitas vezes as coisas ficam devagar, porém no geral ele se mostra aceitável, visto o preço que se paga.

Outra coisa ruim é que muitas bandas estão listadas por lá como “indisponíveis”. Isso ocorre pelos contratos entre Rdio e bandas, que muitas vezes não cobrem nosso país. Mas isso tem mudado aos poucos, felizmente.

Por fim, creio que o maior problema do sistema seja não algo funcional, mas a tecnologia usada por ele. Como você tem que usá-lo com o apoio de uma conexão a internet, as vezes pode ser que você não tenha disponível rapidamente aquela música que queria tanto ouvir naquele momento. Por isso uma dica válida é a de se usar o serviço em aparelhos com boa capacidade de armazenamento, para que assim seja possível carregar boa parte de suas preferências com você. Ou então criar playlists dinâmicas. Vai do seu critério/necessidade.

Enfim, creio que valha MUITO a pena empregar essa pequena quantia no Rdio porque você tem a possibilidade de consumir música de qualidade, com mobilidade e bons recursos para a alegria de seus ouvidos. E aí, vai investir?

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3 comentários sobre “Sobre música ‘digital’ e sua legalidade

  1. Eu concordo que seja errado e injusto com os artistas e produtoras quando você baixa alguma música pela internet ilegalmente. O problema é que esse problema é muito difícil de resolver e combater. Por exemplo, sabendo que posso baixar gratuitamente, meus pais (que me sustentam!) não vão querer pagar, entende? Mas conheço vários amigos que compram CDs, compram pelo iTunes e tudo o mais para pode prestigiar os artistas.

    Não conhecia esse programa, mas é realmente interessante e vale a pena. Não é tão caro. Por enquanto não dá, mas quem sabe mais para frente não penso em usá-lo? Mas uma coisa é certa: precisa-se encontrar uma maneira de instruir as pessoas a pagarem pelas músicas, mas sem proibi-las, porque isso sim geraria uma revolta e não levaria a lugar algum.

    Enfim, bom post!

    Beijos ;**

  2. Legalidade maquiada. A única maneira 100% justa é pagar por cada música ou comprar o álbum. O serviço de streaminng simplesmente funciona como um tubarão maior que entrou na disputa e come os lucros do artista. Vou dar um exemplo: se um franqueado permite vc pagar 100 reais por mês para usar qualquer roupa da loja e devolver em 24h, será que o dono da grife irá aceitar isto? Substitua as roupas desse exemplo pelas músicas e coloque o artista no lugar do dono da grife e fica claro que assim como o dono da grife deixa de vender porque o franqueado passou a lucrar com o aluguel das roupas, os artistas estão deixando de vender porque um tal de streaminng está sendo um meio de interceptação de grandes tubarões.

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